Saul Alinsky

  • AveVeritas - Podcast
  • 8 de fevereiro de 2021

Tradução do artigo de John Perazzo

Saul Alinsky nasceu em 30 de janeiro de 1909, Chicago, de pais russos e judeus, mas foi pessoalmente agnóstico em relação à religião. O autor e
comentarista político David Horowitz escreveu que Alinsky “atingiu a maioridade
na década de 30 como um simpatizante comunista”, como o biógrafo Sanford
Horwitt nos diz em Let Them Call Me Rebel. De fato, Horwitt escreveu que
Alinsky era “abertamente simpático” às políticas de seu amigo Herb March, que
trabalhou como organizador da Liga Comunista Jovem. O vereador de Chicago,
Leon Despres, um membro do Partido Comunista e colega de universidade,
disse uma vez: “Eu não acho que ele (Alinsky) pensou, sequer remotamente, em
se juntar ao Partido Comunista mas, emocionalmente, alinhou-se muito
fortemente ele.” O filósofo e podcaster Stefan Molyneux diz que Alinsky, por
sua vez, descreveu a si mesmo como um “small-communist,” significando que
ele aceitou os princípios do comunismo, mas nunca se juntou formalmente ao
Partido Comunista.
Alinsky ajudou a estabelecer as táticas de infiltração – associadas às
medidas de confrontação – que têm sido essenciais para os movimentos
políticos revolucionários nos Estados Unidos em décadas recentes. Apesar de
Alinsky ser compreendido como um esquerdista, seu legado é mais
metodológico do que ideológico. Ele identificou uma série de regras muito
específicas que cidadãos comuns poderiam seguir e táticas que cidadãos
comuns poderiam empregar, como um meio de obter poder. Seu lema era: “Os
meios mais eficazes são os que obtêm os resultados desejados.”
Alinsky estudou criminologia como estudante de graduação da
Universidade de Chicago, durante a qual ele tornou-se amigo de Al Capone e
seus mafiosos. Ryan Lizza, editor sênior do The New Republic, ofereceu um
vislumbre da personalidade de Alinsky: “Agradável e egocêntrico, Alinsky
poderia entreter amigos com histórias – algumas verdadeiras, muitas
embelezadas – de seus dias de máfia nas décadas do pós-guerra. Ele era
profano, expansivo e narcisista, sempre o centro das atenções apesar de seu
tweedy, do seu aspecto acadêmico e de seus óculos de lentes grossas e aros
de chifre.”
De acordo com Lizza:
“Alinsky foi profundamente influenciado pela grande ciência social de sua
época, uma desenvolvida por seus professores de Chicago: a de que as
patologias das áreas urbanas pobres não eram hereditárias, mas ambientais.
Esta ideia de que as pessoas poderiam mudar suas vidas por meio da alteração
de seu entorno, levou-o a adotar uma frase obscura da ciência social – ‘a
organização comunitária’ – e tornar isso ‘algo controverso, importante e até
mesmo, romântico’ nas palavras do biógrafo de Alinsky, Sanford Horwitt. Seu
ponto de partida foi um quase fascínio por John L. Lewis, um importante líder
trabalhista e fundador do CIO. Alinsky pensou: ‘E se as mesmas táticas
obstinadas usadas pelos sindicatos pudessem ser aplicadas à relação entre
cidadãos e autoridades públicas?’”
Após completar seu trabalho de graduação em criminologia, Alinsky
passou a desenvolver o que são conhecidos hoje como conceitos de
organização das massas para o poder. No fim da década de 30, ele ganhou a
reputação de mestre de organização dos pobres quando organizara a área “Back
of the Yards”, em um bairro residencial e étnico no sudoeste da cidade de
Chicago, assim chamado devido a sua proximidade com os antigos pátios de
armazenamento da União; esta área se tornara famosa no romance de Upton
Sinclair, The Jungle, de 1906. Em 1940, Alinsky estabeleceu o Industrial Areas
Foundation (IAF), através do qual ele e sua equipe ajudaram a “organizar”
comunidades não apenas em Chicago, mas por todo os Estados Unidos. O IAF
permanece como uma entidade ativa até hoje. Sua sede nacional está localizada
em Chicago e tem afiliados no Distrito de Columbia, em vinte e um estados e em
três países estrangeiros (Canadá, Alemanha e Reino Unido).
No fim da década de 60, o movimento Black Power expulsaria Alinksy e
suas campanhas de organização dos projetos em bairros afro-americanos,
deixando-o sem outra escolha a não ser alterar seu foco para comunidades
brancas. Para este fim, ele criou o Citizens Action Program (CAP), em 1970.
Como Stanley Kurtz escreve em seu livro Radical in Chief, de 2010: “Alinsky
foi…convencido de que uma transformação socialista em larga escala exigiria
uma difícil aliança entre a classe média em dificuldades e os pobres. A chave
para a mudança social radical, era virar a classe média americana contra as
grandes corporações.”
No modelo de Alinsky, “organizar” é um eufemismo para “revolução” – uma
revolução generalizada cujo objetivo final é a aquisição sistemática de poder por
um segmento supostamente oprimido da população e a transformação radical
da estrutura social e econômica da América. O objetivo é fomentar suficiente
descontentamento público, confusão moral e o caos total para desencadear a
agitação social que Marx, Engels e Lênin previram – uma revolução cujos
soldados de infantaria veem o status quo como fatalmente imperfeito e indigno
de salvação. Assim, segundo a teoria, as pessoas não se contentarão com nada
menos do que o colapso completo desse status quo – seguido pelo surgimento
de um sistema inteiramente novo a partir de suas ruínas. Para esse fim, eles
estarão aptos a seguir o exemplo de organizadores radicais carismáticos que
projetam uma aura de confiança e visão, e que professam entender claramente
que tipos de “mudanças” sociais são necessárias.
Como Alinsky colocou: “Uma reforma significa que as massas do nosso
povo alcançaram um ponto de desilusão com formas e valores do passado. Eles
não sabem se funcionará, mas eles sabem que a manutenção do sistema é
autodestruição, frustração e desesperança. Eles não agirão pela mudança, mas
não se oporão fortemente a quem o fizer. Chegou o momento da revolução.”
“Nós estamos preocupados sobre como criar organizações de massa para tomar
o poder e dá-lo ao povo, para realizar o sonho democrático de igualdade, justiça,
paz, cooperação, oportunidades iguais e plenas de educação, emprego pleno e
vantajoso, saúde e a criação daquelas circunstâncias pelas quais os homens
têm a chance de viver pelos valores que dão sentido à vida. Nós estamos falando
de uma organização de poder de massa que mudará o mundo…Isso significa
revolução.”
Mas a marca da revolução de Alinsky não se caracterizou pelas
transformações dramáticas, abrangentes e abruptas das instituições sociais.
Como Richard Poe colocou: “Alinsky via a revolução como um processo lento e
paciente. O truque era se infiltrar em instituições existentes, tais como igrejas,
sindicatos e partidos políticos.” Ele aconselhou organizadores e seus discípulos
a obterem influência de forma discreta e sutil dentro das fileiras de tomada de
decisão dessas instituições e a introduzirem mudanças a partir dessas bases.
Essa foi precisamente a tática de “infiltração” defendida por Lênin e Stálin.
Como o Secretário Geral da Internacional Comunista, Georgi Dimitroff
disse no Sétimo Congresso Mundial do Comintern, em 1935: “Camaradas, vocês
se lembram da antiga história da captura de Tróia. Tróia era inacessível aos
exércitos que a atacavam, graças às suas muralhas impenetráveis. E o exército
atacante, após sofrer inúmeros sacrifícios, foi incapaz de alcançar a vitória até
que, com a ajuda do famoso Cavalo de Tróia, conseguiu penetrar no coração do
campo do inimigo.” A revolução de Alinsky prometeu mudar a estrutura das
instituições da sociedade, o que livraria o mundo de vícios, como sóciopatologias e a criminalidade.
Alegando que esses vícios eram causados não pelas falhas pessoais de
caráter, mas por influências sociais externas, a visão de mundo de Alinsky estava
profundamente mergulhada na doutrina coletivista de determinismo econômico
da esquerda socialista. Disse Alinsky: “A afeição do radical pelas pessoas não
diminui quando a maioria delas demostra capacidade para a brutalidade,
egoísmo, ódio, ganância, avareza e deslealdade. Não são as pessoas que
devem ser julgadas, mas as circunstâncias que as fizeram assim.” A principal
entre essas circunstâncias, ele disse, eram as “pressões de uma sociedade
materialista para o roubo.”
Para conter o materialismo, Alinsky era a favor de uma alternativa
socialista. Ele caracterizou seu radical altruísta (leia: “revolucionário”) como um
reformador social que “põe os direitos humanos muito acima dos direitos de
propriedade”; que favorece “uma educação pública livre e universal; que “insiste
em pleno emprego para segurança econômica”, mas também estipula que as
tarefas do povo devem “satisfazer os desejos criativos dentro de todos os
homens”; que “combateria os conservadores” em todo o lugar; que “ combateria
o privilégio e o poder, fossem herdados ou adquiridos” ou “um credo político ou
financeiro organizado.” Alinsky sustentou que esses radicais, achando-se “à
deriva no mar tempestuoso do capitalismo,” procuraram “avançar da selva do
laissez-faire do capitalismo ao mundo digno do nome de civilização humana.”
Ele diz: “Eles esperam por um futuro onde os meios de produção serão
propriedade do povo ao invés de apenas um relativo grupo.” Em resumo, eles
queriam o socialismo.
Em 1946, Alinsky escreveu Reveille for Radicals, seu primeiro livro
importante sobre os princípios e táticas de uma “organização comunitária”,
conhecida de outra forma como agitação para revolução. Vinte e cinco anos
depois ele escreveu Rules for Radicals, o qual é uma expansão do trabalho
anteriot. Seus escritos e táticas delineadas nele tem tido uma profunda influência
em todos os movimentos de “mudança social” e “justiça social” em décadas
recentes.
O objetivo de Alinsky, o qual ele declarou claramente em Rules for
Radicals, era “apresentar um arranjo de certos fatos e conceitos gerais de
mudança, um passo em direção à ciência da revolução.” Ele declarou: “O
Príncipe foi escrito por Maquiavel para os que têm o poder se manterem no
poder. Rules for Radicals foi escrito para os não têm poder tomarem-no.” Se os
radicais deveriam estar na vanguarda do movimento para transferir o poder dos
que têm para os que não têm, a primeira ordem de negócios de Alinsky era definir
precisamente o que um radical era. Em primeiro lugar, ele abordou essa tarefa
distinguindo entre liberais e radicais. Alinsky não tinha paciência com aqueles a
quem chamou de liberais do seu tempo – pessoas que estavam contentes em
falar sobre as mudanças que queriam, mas não estavam dispostas a trabalhar
ativamente por essas mudanças. Ao invés disso, ele favoreceu os “radicais” que
estavam preparados para agir de forma ousada e decisiva para transformar a
sociedade, ainda que essa transformação só possa ser alcançada de forma lenta
e gradual.
Alinsky escreveu: “Liberais temem o poder ou sua aplicação…Eles falam
com desdém de pessoas que elevam a si mesmas por seus próprios meios, mas
falham em perceber que nada pode ser elevado senão através do
poder…Radicais precipitam a crise social pela ação – usando o poder. Liberais
protestam, radicais se rebelam. Liberais se indignam, radicais se tornam loucos
combatentes e vão para ação. Liberais não modificam suas vidas pessoais, e o
que eles dão à causa é uma pequena parte de suas vidas, radicais dão a si
próprios para a causa. Liberais dão e recebem argumentos, radicais dão e
recebem um estilo de vida duro, sujo, amargo.”
Se a proposta do radicalismo é trazer uma transmutação social, o radical
deve estar preparado para fazer um argumento convincente do motivo pelo qual
tal mudança é urgentemente necessária. A convicção de Alinsky de que a
sociedade americana precisava de uma reformulação se alicerçou na crença de
que o status quo era intoleravelmente miserável para a maioria das pessoas. Por
um lado, Alinsky via os Estados Unidos como uma nação repleta de injustiça
econômica. Ele escreveu: “O povo da América vive como pode. Muitos deles
estão presos em barracos em ruínas de um cômodo e poucos vivem em
coberturas…Quem tem cheira a água de colônia, quem não tem cheira apenas
a vaso sanitário.” Lamentando a “ampla disparidade de riqueza, privilégio e
oportunidade” que ele viu na América, Alinsky culpou os “valores e padrões
materialistas.” Ele disse: “Nós sabemos que o homem deve deixar de adorar o
deus do ouro e o monstro do materialismo.”
A profunda injustiça econômica não era a única falta da América, na visão
de Alinsky. Lamentando a “bastante confusa e desmoralizada ideologia” da
nação, ele ainda identificou o “desemprego”, a “decadência”, a “doença”, o
“crime”, a “desconfiança”, a “intolerância”, a “desorganização” e a
“desmoralização” como subprodutos inevitáveis da vida sob capitalismo na
América. Esse estado de coisas, ele disse, fez a vida da maioria dos americanos
nada mais do que um exercício de fadiga. Disse Alinsky sobre o americano
médio: “No fim de semana, ele sai do inferno da monotonia com um salário para
uma segunda rodada de monotonia…Domingo de manhã ele está de volta à linha
de montagem…Esta é, no geral, a sua vida. Uma rotina na qual ele apodrece. A
perspectiva mais sombria, monótona e cinzenta que ele pode ter. Simplesmente
um futuro de total desespero.” Ele acrescentou: “Pessoas famintas por drama e
aventura, por um sopro de vida em uma existência aborrecida e monótona.”
De acordo com Alinsky, essa existência infeliz exerceu uma influência
profundamente negativa no caráter americano. Alinsky percebia a maioria dos
americanos como pessoas que eram governadas por seus preconceitos e que,
por isso, sentiam uma grande antipatia contra a maioria dos seus compatriotas
– particularmente aqueles de diferentes origens étnicas, raciais ou religiosas. Ele
disse: “A maioria das pessoas, assim como poucas pessoas, não se interessam
ativamente ou desgostam ativamente da maioria das “outras” pessoas.”
Tendo pintando completamente um retrato verbal da corrupção e
melancolia da sociedade americana, Alinsky agora estava preparado para
discutir a mudança generalizada e de grande magnitude que estava em ordem.
O que era preciso, ele disse, era uma revolução em cuja vanguarda estariam
radicais comprometidos em eliminar as “causas fundamentais” dos problemas
da nação, e que não se contentariam com um mero acordo com as
“manifestações atuais” ou os “produtos finais” desses problemas.”
O objetivo do radical, ele explicou, deve ser trazer a “destruição das raízes
de todos os medos, frustrações e insegurança do homem, sejam materiais ou
espirituais”; purgar a terra das “vastas forças destrutivas que permeiam toda a
cena social” e eliminar “essas forças destrutivas pelas quais se fazem as
guerras”, forças como a “injustiça econômica, insegurança, oportunidades
desiguais, preconceito, fanatismo, imperialismo…e outras neuroses
nacionalistas.”
O objetivo de guiar a nação para longe dos vícios mencionados
anteriormente se encaixa perfeitamente na crença de Alinsky de que todos os
problemas sociais são interrelacionados. De acordo com Alinsky, se segmentos
da população foram assediados pelo crime, desemprego, moradia inadequada,
desnutrição, doenças, desmoralização, racismo, discriminação ou intolerância
religiosa, era impossível abordar, com grande efeito, qualquer dessas
preocupações isoladamente. Ele disse: “São simplesmente partes de todo o
cenário. Não são problemas separados.”
Ele elaborou: “Todos os problemas são relacionados e todos são
resultado de certas causas fundamentais. Muitos problemas locais aparentes
são, na realidade, um maligno microcosmo de vastos conflitos, pressões,
estresses e deformações de uma ordem social inteira.” Portanto “o sucesso em
conquistar esses males só pode obtido pela vitória sobre todo os males.” Em
outras palavras, o que era preciso era uma revolução, liderada por radicais, para
virar a sociedade de cabeça para baixo e de dentro para fora, literalmente.
Alinsky então procedeu ao design do método pelo qual os radicais
poderiam alcançar seu objetivo através da formação de um conjunto de
“Organizações Populares” – cada uma com seu próprio nome e missão distintos
e cada uma das quais “pensa e age em termos de uma intervenção cirúrgica na
sociedade, e não em termos de aparência.”
Essas Organizações Populares eram compostas majoritariamente por
indivíduos descontentes que acreditavam que a sociedade era repleta de
injustiças que os impediam de serem capazes de viver satisfatoriamente. Tais
organizações, Alinsky aconselhou, não devem ser importadas de fora da
comunidade, mas, ao invés, devem ter uma equipe local que, com alguma
orientação de organizadores radicais treinados, poderiam definir sua própria
agenda.
O posicionamento de líderes locais como dirigentes das Organizações
Populares ajudou a dar credibilidade e autenticidade às organizações aos olhos
da comunidade. Essa tática tem um estreito paralelo com a estratégia a longo
prazo do Partido Comunista em criar organizações de fachada que fossem
ostensivamente lideradas por não comunistas, mas que de fato eram controladas
por membros do Partido nos bastidores. Como J. Edgar Hoover explicou no seu
livro Masters of Deceit, de 1958: “Tornar um membro do Partido presidente de
uma frente a rotularia imediatamente de ‘comunista’. Mas se um simpatizante for
colocado, especialmente um homem de proeminência, como um educador, líder
religioso ou cientista, o grupo pode operar como uma organização
‘independente.’”
Alinsky ensinou que a primeira tarefa do organizador era fazer as pessoas
sentirem que elas eram sensatas o suficiente para diagnosticar seus próprios
problemas, encontrar suas próprias soluções e determinar seus próprios
destinos. O organizador, disse Alinsky, deve explorar o ato de “milhões de
pessoas sentirem profundamente em seus corações que não há lugar para elas,
que eles não ‘importam.’ Para explorar essa situação efetivamente, disse
Alinsky, o organizador deve empregar técnicas como o uso astucioso “de
perguntas delineadas para obter respostas particulares e orientar o processo de
tomada de decisões na direção que o organizador preferir.
“Isso é manipulação?” – perguntou Alinsky.
“Certamente.” – ele respondeu instantaneamente.
Mas isso era manipulação em direção ao fim desejado: “Se o homem
comum tivesse a chance de sentir que poderia dirigir seus próprios
esforços…que haveria um destino pelo qual ele poderia fazer algo a respeito até
certo ponto, que havia um sonho pelo qual ele poderia lutar, então a vida seria
maravilhosa de ser vivida.” No cálculo de Alinsky, o homem comum poderia
alcançar essa renovada vitalidade de espírito através de sua participação ativa
nas Organizações Populares.
Alinsky via o papel do organizador ou mestre manipulador, cuja liderança
era responsável pelas agendas das Organizações Populares, como
extremamente importante. Alinsky escreveu: “O organizador está alcançando,
em um verdadeiro sentido, o maior patamar que um homem pode alcançar –
criar, para ser um ‘grande criador’, brincar de Deus.”
Alinsky traçou um conjunto de princípios básicos para guiar as ações e
decisões de organizadores radicais e a as Organizações Populares criadas por
eles. Ele disse: “O organizador deve primeiro mexer nas feridas do povo; atiçar
as hostilidades latentes ao ponto de explodirem abertamente. Ele deve procurar
polêmicas e questões ao invés de evitá-las, pois, a menos que haja controvérsia,
as pessoas não se preocuparão o suficiente para agir.”
A função do organizador, ele acrescentou, era “agitar ao ponto do conflito”
e “desviar e provocar o establishment para que ele o ataque publicamente como
um ‘inimigo perigoso’.” Disse Alinsky: “A palavra ‘inimigo’ é suficiente para pôr o
organizador ao lado do povo.” Por exemplo, para convencer os membros da
comunidade que ele está tão ansioso para defendê-los, que se ofereceu de bom
grado à condenação e ao escárnio.
Mas isso não é suficiente para o organizador ser solidário com o povo. Ele
deve, disse Alinsky, cultivar a unidade contra um inimigo claramente identificado;
ele deve nomear especificamente esse inimigo e “destacar” precisamente quem
é o culpado pelo “particular mal” que é a fonte da angústia do povo. Em outras
palavras, deve haver um rosto associado com o descontentamento do povo.
Esse rosto, ensinou Alinsky, “deve ser uma personificação, não apenas algo
geral e abstrato como uma corporação ou City Hall.” Em vez disso, deve ser um
indivíduo como um CEO, um prefeito ou um presidente.
Alinsky resumiu dessa forma: “Escolha um alvo, retenha-o, personalize-o
e o polarize…Não há sentido em táticas, a menos que alguém tenha um alvo
sobre o qual centralizar os ataques.” Ele sustentou que a tarefa do organizador
era cultivar no coração do povo uma resposta negativa, visceralmente emocional
à face do inimigo. Disse Alinsky: “O organizador que esquece o significado da
identificação pessoal tentará responder a todas as objeções na base da lógica e
do mérito. Com poucas exceções, isso é um procedimento fútil.

Alinsky também aconselhou os organizadores a focar sua atenção em um
pequeno número de alvos selecionados e estratégicos. “Estimular pouco as
paixões de uma organização era receita certa do fracasso.” – ele alertou. Alinsky
aconselhou o radical ativista a evitar a tentação de admitir que os seus
oponentes não eram “100% maus” ou que ele possuía certas qualidades
admiráveis tais como ser “um bom home que frequenta a igreja, generoso em
caridade e um bom esposo.” Tais observações qualificadoras, disse Alinsky,
“diluem o impacto do ataque” e equivale a pura “idiotice política.”
Alinsky destacou a necessidade de os organizadores convencerem seus
seguidores de que o abismo entre os inimigos e os membros das Organizações
Populares é vasto e intransponível. Ele disse: “Antes que um homem possa agir,
uma questão deve ser polarizada. Homens agirão quando eles estiverem
convencidos de que a sua causa está 100% ao lado dos anjos e que a oposição
está 100% ao lado do demônio.” Alinsky aconselhou esse curso de ação ainda
que ele tenha entendido bem que o organizador “sabe que quando o tempo de
negociações chega, é realmente apenas 10% de diferença.”
Mas no tipo de guerra social de Alinsky, os fins (neste caso, a transferência
de poder) virtualmente justificam quaisquer meios necessários (neste caso,
mentir). Vencer era tudo que importava no cálculo estratégico de Alinsky: “A
moralidade de um meio depende se os meios estão sendo empregados no tempo
da derrota iminente ou da vitória iminente.” Alinsky acrescentou: “O homem de
ação…pensa apenas em seus recursos atuais e nas possibilidades de várias
escolhas de ação. Ele pergunta apenas se são viáveis e se valem nos custos;
de meios, apenas se funcionarão.” Para Alinsky, toda moralidade é relativa: “O
julgamento da ética dos meios é dependente da posição política daqueles que
se encontram na posição de julgamento.”
Dado que o inimigo deveria ser retratado como a personificação do mal
contra o qual qualquer e todos os métodos eram justos. Alinsky ensinou que um
organizador eficaz nunca deveria dar a impressão de estar completamente
satisfeito como resultado de ter resolvido qualquer conflito específico por meio
de um compromisso. Qualquer compromisso com o “mal” é, por definição,
moralmente corrupto e, portanto, inadequado. Consequentemente, embora o
organizador reconheça que está satisfeito com o compromisso como um
pequeno passo na direção certa, ele deve fazer com que esteja absolutamente
claro que ainda há um longo caminho a seguir, e muitas queixas permanecem
sem solução.
O objetivo último, disse Alinsky, não é chegar em um acordo ou a uma
coexistência pacífica, mas, ao invés, “aniquilar a oposição”, pouco a pouco.
Disse Alinsky: “Uma Organização Popular é dedicada a guerra eterna…Uma
guerra não é um debate intelectual e em uma guerra contra males sociais não
há regras justas…Quando você tem guerra, isso significa que nenhum lado pode
concordar em nada…Em nossa guerra contra as mazelas sociais do ser humano
não pode haver acordo. É vida ou morte.”
Alinsky alertou ao organizador para estar em guarda contra a possibilidade
de o inimigo oferecer a ele uma “alternativa construtiva” destinada a resolver o
conflito. Disse Alinsky: “Você não pode ser enganado pelo inimigo em um
inesperado acordo com a sua demanda, dizendo ‘Você está certo – nós não
sabemos o que fazer acerca desta questão. Agora, diga-nos.’” Tal capitulação
ao inimigo teria o efeito de reduzir a reta indignação das Organizações
Populares, cuja verdadeira identidade está inextrincavelmente entrelaçada com
a luta por uma justiça há muito negada, ou seja, cuja luta e identidade são
sinônimos.
Se o considerado opressor se render ou estender a mão da amizade em
um esforço de terminar o conflito, a cruzada das Organizações Populares será
prejudicada. Isso não pode ser permitido. Guerra eterna, por definição, nunca
deverá terminar. Embora Alinsky endossasse a crueldade em fazer guerra contra
o inimigo, ele estava ciente de que certas abordagens tinham mais probabilidade
de conquistar os corações e as mentes das pessoas cujo apoio seria crucial para
a vitória dos organizadores. Ele ensinou, sobretudo, que a fim de obter sucesso,
o organizador e suas Organizações Populares precisavam focar sua mensagem
em direção a classe média.
Disse Alinsky: “A humanidade é dividida em três partes: os que têm, os que
não têm e os que tem pouco e querem mais.” Ele explicou que, na América, os
que têm pouco e querem mais (por exemplo, membros da classe média) eram
mais numerosos e, portanto, de extrema importância. Disse Alinsky: “Divididos
entre defender o status quo para defender o pouco que têm, mas querendo
mudar para que possam obter mais, eles (a classe média) se tornam
personalidades divididas…Termo politicamente, eles são mornos e enraizados
na inércia. Hoje na sociedade Ocidental e, particularmente, nos Estados Unidos,
eles são compõe a maioria de nossa população.”
Alinsky destacou que os organizadores e seus seguidores precisam tomar
cuidado para que, quando revelem sua cruzada particular pela “mudança”, não
afastar a classe média com qualquer tipo de linguagem ríspida, comportamento
desafiador ou aparência ameaçadora que sugira que radicalismo ou o
desrespeito pela moral e tradições da classe média. Por essa mesma razão, ele
não gostava de hippies ou de ativistas da contracultura dos anos 60. Como
colocou Richard Poe: “Alinsky repreendeu a esquerda dos anos sessenta por
assustar potenciais conversos na classe média da América. “Verdadeiros
revolucionários não exibem seu radicalismo.” – Alinsky ensinou. – “Eles cortam
seu cabelo, colocam ternos e se infiltram no sistema por dentro.”
Em seu livro Radical in Chief, Stanley Kurtz descreve Alinsky como “uma
cruz entre o socialista democrata e seu amigo comunista.” Mas Alinsky evita
cuidadosamente se aprofundar sua atenção nesse fato. Escreveu Kurtz: “Ele foi
esperto o suficiente para evitar a linguagem marxista em público…Ao invés de
exigir a derrubada da burguesia, Alinsky e seus seguidores falam sobre ‘poder
de confrontação.’ Ao invés de defender uma revolução socialista, eles exigem
uma ‘radical mudança social.’ Ao invés de exigir ataques aos capitalistas, eles
vão atrás de ‘alvos’ ou ‘inimigos’.”
Embora o objetivo final de Alinsky fosse nada menos do que “a
radicalização da classe média”, ele salientou a importância de “aprender a falar
a língua daqueles a quem se tenta converter.” Ele disse: “Táticas devem começar
com a experiência da classe média. Aceitar sua aversão à rudeza, vulgaridade
e conflito. Comece com calma, não os assuste.” Alinsky continuou: “Ao apelar à
classe média, os objetivos devem ser expressos em termos gerais, como
‘Liberdade, Igualdade, Fraternidade’; ‘Do Bem Estar Comum’; ‘Em busca da
felicidade’ ou ‘Pão e Paz.’” Ele sugeriu, por exemplo, que um organizador eficaz
“descobre qual é a definição deles (da classe média) de polícia e sua linguagem
– ele descarta a retórica que sempre diz ‘porco’ (em referência à polícia). Ao
invés de rejeição hostil, ele busca pontes de comunicação e unidade sobre as
lacunas…Ele verá com sensibilidade estratégica a natureza do comportamento
da classe média e seus problemas com a rudeza ou agressividade e ações
agressivas, insultuosas e profanas. Tudo isso e mais deve ser agarrado e usado
para radicalizar partes da classe média.”
Um princípio ensinado por Alinsky era o de que organizadores radicais não
apenas devem falar a linguagem da classe média, mas eles também devem
direcionar suas cruzadas às aparências da moralidade. Ele disse: “A
racionalização da moral é indispensável para todos os tipos de ação, seja para
justificar a seleção ou uso dos fins ou meios”. Ele acrescentou: “Todos os
grandes líderes invocaram ‘princípios morais’ para encobrir interesses próprios
nas roupas da ‘liberdade’, ‘igualdade entre os homens’, ‘uma lei maior do que a
lei feita pelo homem’, e por aí vai.” Em resumo: “Todas as ações eficazes
requerem o passaporte da moralidade.”
Mas Alinsky entendeu que havia um outro lado de sua estratégia de falar
a linguagem palatável e tranquilizadora da moralidade da classe média.
Especificamente, ele disse que organizadores devem ser inteiramente
imprevisíveis e estar inequivocamente dispostos – em nome dos princípios
morais em cujo nome eles afirmam agir – a observar a sociedade descer ao caos
e à anarquia absolutos. Ele declarou que eles devem estar preparados, se
necessário, para “irem a um estado de completa confusão e atrair (seus)
oponentes ao vórtex dessa mesma confusão.” Um meio pelo qual os
organizadores e seus discípulos podem exibir sua prontidão para essa
possibilidade é organizando comícios de protesto barulhentos, massivos e
desafiadores, que expressem profunda raiva e descontentamento sobre uma ou
outra injustiça específica.
Tais demonstrações pode dar aos espectadores a impressão de que um
movimento de massa está crescendo, e seu (já formidável) tamanho atual é uma
fração do que eventualmente está por vir. “Uma ‘impressão em massa’ pode ser
duradouro e intimidador. Poder não é só o que você tem mas o que você parece
que tem.” – disse Alinsky. Ele acrescentou: “A ameaça é normalmente mais
aterrorizante do que a coisa em si.” Disse Alinsky: “Se a sua organização é
pequena em números…esconda os membros no escuro, mas faça um barulho e
um clamor que fará quem ouvir acreditar que os números de membros da sua
organização são muito mais do que são.”
Alinsky “Sempre que possível vá além da experiência do inimigo. Aqui
você quer causar confusão, medo e recuar.” A multidão de manifestantes
cantando realiza esse objetivo. A reação do observador médio a essa exibição é
de natureza dual: Primeiro é o medo. Mas ele também lembra a articulação inicial
do organizador com os ideais e a moral da classe média. Assim, ele convence a
si próprio que as Organizações Populares são certamente compostas por
pessoas razoáveis que na verdade têm valores semelhantes ao seu próprio e
que procuram soluções que beneficiarão ambos os lados. Esse processo de
pensamento leva-o a oferecer – na esperança de apaziguar as multidões furiosas
– concessões e admissões de culpa, as quais organizador, por sua vez, explora
para obter uma influência moral ainda maior e extorquir outras concessões.
Na visão de Alinsky, a ação era a mais frequente catalizadora do fervor
revolucionário do que o oposto. Ele a considerava essencial para que o
organizador levasse as pessoas a agirem primeiro (por exemplo, a participação
em uma manifestação) e para que elas racionalizassem suas ações
posteriormente. Disse Alinsky: “Faça-os se mover na direção certa primeiro. Eles
explicarão a si mesmos porque eles foram naquela direção mais tarde.”
Entre os mais importantes princípios do método de Alinsky estão os
seguintes:
• “Faça os inimigos viverem de acordo com seus próprios livros de regras.
Vocês podem matá-los com isso, pois eles não podem mais viver à altura
de suas próprias regras do que a Igreja Cristã pode viver à altura do
Cristianismo.”
• “Nenhuma organização, incluindo religiões organizadas, pode viver à
altura de seu próprio livro. Você pode bater neles até a morte com seu
‘livro’ de regras e regulamentos.”
• “Praticamente todas as pessoas vivem em um mundo de contradições.
Elas abraçam uma moralidade que não praticam…Esse dilema pode e
deve ser totalmente utilizado pelo organizador para manter indivíduos e
grupos envolvidos em Organizações Populares. Isso é o calcanhar de
Aquiles até para a pessoa mais materialista. Pegos na armadilha de suas
próprias contradições, essa pessoa achará difícil mostrar uma causa
satisfatória para não se juntar e participar da organização, tanto para o
organizador como para si própria. Ele será levado a participar ou à
admissão pública e privada de sua própria falta de fé na democracia e no
homem.”
Alinsky ensinou que, para se tornarem efetivamente os defensores dos
princípios morais e da decência humana, os organizadores devem reagir com
“choque, horror e ultraje” sempre que seu alvo inimigo errar de alguma forma ou
falhar em seguir seu “livro de regras.” Além disso, disse Alinsky, sempre que
possível o organizador deve ridicularizar seu inimigo e desprezá-lo como alguém
indigno de ser levado à sério por causa de sua deficiência intelectual ou falência
moral. “O inimigo instigado e guiado em sua reação será sua principal força.” –
disse Alinsky. Ele aconselhou os organizadores a “rir do inimigo” em um esforço
para provocar “uma fúria irracional.” Disse Alinsky: “O ridículo é a mais potente
arma do homem. É quase impossível contra-atacar o ridículo. Isso também
enfurece a oposição, que então reage a seu favor.”
Segundo Alinsky, era vital que os organizadores focassem em múltiplas
cruzadas e múltiplas abordagens. Ele escreveu: “Uma tática que se arrasta por
demasiado tempo se torna um obstáculo.” “Um homem mantém o interesse
militante por qualquer questão por apenas um tempo limitado…Novas questões
e crises estão sempre se desenvolvendo…Mantenha a pressão com diferentes
táticas e ações, e utilize todos os eventos do período para o seu propósito.” – ele
continuou.
Para esse fim, Alinsky aconselhou os organizadores a estarem certos de
que eles sempre mantenham mais de uma “luta no estoque”. Em outras palavras,
os organizadores devem manter uma reserva comparativamente pequena de
pequenas cruzadas que eles já estão preparados para realizar, e para as quais
eles podem voltar sua atenção instantaneamente depois de terem conquistado
uma grande vitória de alguma espécie.
Essas “lutas no estoque” servem para o propósito duplo de manter as
organizações agindo enquanto não permitem que sua cruzada principal se torne
“obsoleta” por causa da exposição pública excessiva. Uma Organização
Popular, disse Alinsky, só pode criar uma associação ampla se focar em
múltiplos assuntos (por exemplo, direitos civis, liberdades civis, bem estar social,
renda, renovação urbana, meio ambiente etc.). Alinsky escreveu: “Múltiplas
questões significam vida e ações constantes.”
Alinsky precaveu os organizadores a escolher judiciosamente apenas o
início de batalhas que eles teriam uma boa chance de vencer. Ele disse: “O
trabalho do organizador é começar a construir confiança e esperança na ideia
de organização e, portanto, nas próprias pessoas: conquistar vitórias limitadas,
cada uma delas gerando confiança e o sentimento de que “se nós podemos
fazer tanto com o que temos agora, pense no que poderemos fazer se nos
tornarmos grandes e fortes.’ É quase como levar um lutador premiado a caminho
do campeonato. Você tem que ser muito cuidadoso e escolher seletivamente
seus oponentes, sabendo muito bem que certas derrotas podem ser
desmoralizantes e pôr fim a sua carreira.”
Alinsky ensinou que, em alguns casos, a missão das Organizações
Populares pode ser facilitada se o organizador for capaz de se deixar ser preso
e depois explorar a publicidade vinda da prisão. Disse Alinsky: “Prender líderes
revolucionários e seus seguidores…fortalece incomensuravelmente a posição
dos líderes com o povo pelo encobrimento da liderança presa por uma aura de
martírio; isso aprofunda a identificação da liderança com o seu povo.” Ele disse:
“Isso mostra que a sua liderança se importa tanto com eles e está tão
sinceramente comprometida com a causa que está disposta a ser presa pela
causa.” Mas Alinsky determinou que organizadores deveriam procurar ser
presos por apenas um curto período (de um dia a dois meses). Ele disse que
longos períodos de encarceramento têm a tendência de diminuir na consciência
pública e de serem esquecidos.
Durante os anos 60, Alinsky foi uma força muitíssimo influente na vida
americana. Como relata Richard Poe: “Quando o Presidente Johnson lançou sua
Guerra à Pobreza em 1964, os aliados de Alinsky se infiltraram no programa,
direcionando verba federal para os projetos de Alinsky. Em 1966, o senador
Robert Kennedy se aliou ao líder sindical Cesar Chavez, um discípulo de Alinsky.
Chavez trabalhara dez anos para Alinsky, começando em 1952. Kennedy logo
entrou no círculo de Alinsky. Após distúrbios raciais abalarem Rochester, New
York, Alinsky foi a cidade e começou a pressionar o Eastman-Kodak para
contratar mais negros. Kennedy apoiou a movimentação de Alinsky.”
Alinsky morreu em 1972, mas seu legado vive como um método básico
esquerdista, um verdadeiro plano para a revolução (a qual ele e seus discípulos
se referem eufemisticamente como “mudança”). Dois de seus discípulos mais
notáveis são Hillary Clinton e Barack Obama.
Em 1969, Hillary Clinton escreveu sua tese de 92 páginas sobre as teorias
de Alinsky. Uma grande admiradora da mistura de técnicas ativistas impiedosas
e furtivas de Alinsky, Hillary entrevistou pessoalmente o famoso autor de seu
projeto. Ela concluiu sua tese declarando: “Alinsky é considerado por muitos
como um proponente de uma filosofia sócio-política perigosa. Por isso, ele tem
sido temido, assim como Eugene Debs (cinco vezes candidato a presidente dos
EUA pelo Socialist Party), Walt Whitman ou Martin Luther King têm sido temidos,
porque cada um abraçou a mais radicais das crenças políticas – a democracia.”
Hillary manteria sua fidelidade aos ensinamentos de Alinsky ao longo de
sua vida adulta. De acordo com uma reportagem do Washington Post, de março
de 2007: “Como primeira-dama, Clinton ocasionalmente emprestou seu nome a
projetos apoiados pela Industrial Areas Foundation (IAF), grupo de Alinsky que
ofertara um emprego a ela em 1968. Ela arrecadou fundos e esteve presente em
dois eventos organizados pelo Washington Interfaith Network, um afiliado do
IAF.” Em última análise a investigação de Hillary sobre os métodos e ideais de
Alinsky levou-a a concluir que os programas federais de combate à pobreza da
era de Lyndon Johnson não foram longe o bastante para redistribuir a riqueza
entre o povo americano e não deram poder suficiente aos pobres. Quando Hillary
se formou na Wellesley em 1969, um emprego no novo instituto de formação de
Alinsky em Chicago foi oferecido a ela. Ao invés, ela optou por se inscrever no
Yale Law School.
Ao contrário de Hillary Clinton, Barack Obama nunca se encontrou
pessoalmente com Saul Alinsky. Na época em que Alinsky morrera, em 1972,
Obama tinha apenas 11 anos. Mas quando jovem, ele tornou-se um exímio
praticante dos métodos de Alinsky. Em 1985, um pequeno grupo de 20 diferentes
igrejas em Chicago ofereceu a Obama um emprego de ajuda a residentes dos
bairros pobres e predominantemente negros de Far South Side.
Aceitando essa oportunidade, Obama se tornou diretor do Developing
Communities Project, onde trabalhou pelos próximos três anos em iniciativas
que iam de treinamento profissional e reforma escolar até limpeza de resíduos
perigosos.
David Freddoso, autor do livro The Case Against Barack Obama, de 2008,
resume os esforços de Obama na organização comunitária: “Ele perseguiu
metas manifestamente dignas; proteger as pessoas do amianto em projetos de
moradia do governo é obviamente uma coisa boa e uma responsabilidade do
governo que as construiu. Mas – em todos os casos exceto um – a solução
proposta a cada problema no South Side era a distribuição dos fundos
governamentais…”
Três mentores de Obama em Chicago foram treinados na Industrial Areas
Foundation, fundada por Alinsky. O próprio Developing Communities Project era
um afiliado da Gamaliel Foundation, cujo modus operandi para a criação de “uma
sociedade mais justa e democrática” está enraizada no método de Alinsky. Um
dos primeiros mentores de Obama no método de Alinsky, Mike Kruglik, diria o
seguinte sobre Obama mais tarde: “Ele era natural, um mestre da agitação
incomparável, que poderia envolver uma sala cheia de alvos de recrutamento
em um diálogo socrático rápido, incentivando-os a admitir que eles não estavam
cumprindo seus próprios padrões. Como um pedinte, ele pode ser agressivo e
confrontador. Com sondagens, às vezes com perguntas pessoais, ele apontaria
a fonte da dor em suas vidas, derrubando seus egos apenas o suficiente para
balançar uma cenoura da esperança de que eles poderiam melhorar as coisas.”
Durante vários anos, o próprio Obama ensinou em workshops sobre o
método de Alinsky. Em meados dos anos 80, Obama trabalhou com a ACORN,
a organização política de base de Alinsky que surgiu da National Welfare Rights
Organization (NWRO) de George Wiley.

Discover The Networks
Traduzido por Luiza Barbosa em 05/08/2020
Artigo original disponível em https://www.discoverthenetworks.org/individuals/saul-alinsky/

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