O PARTIDO COMUNISTA DOS EUA (CPUSA)

  • AveVeritas - Podcast
  • 8 de fevereiro de 2021

Tradução do artigo de David Horowitz

Após seu início, em 1919, o CPUSA foi inextrincavelmente associado à
Internacional Comunista Soviética (Comintern), a qual era controlada pela
liderança de Moscou e possuía “incontestável autoridade” sobre todos os
partidos internacionais. Quando foi fundado, o Partido tinha aproximadamente
50.000 membros.
Na década de 20, os membros do CPUSA haviam diminuído para 15.000,
aproximadamente, porque o Comintern forçou-o a adotar uma posição
ultrarrevolucionária e desistir de tentativas de “construção de coalizões”. A
Grande Depressão presenteou o Partido com a oportunidade de recrutar e
formar seus membros.
Portanto, o CPUSA usou tempos difíceis como instrumentos de propaganda para
atacar o fracasso do capitalismo, atacando particularmente as políticas liberais
da recente administração de FDR enquanto se infiltrava, com sucesso, em
agências governamentais, notavelmente o Agricultural Adjustment
Administration.
Em 1935, com a ascensão do Nazismo, o Comintern mudou sua política e adotou
a tática do Popular Front, a qual permitiu que o CPUSA se apresentasse como
antifascista e defensor do liberalismo americano. Como o líder do CPUSA entre
1935 e 1945, Earl Bowder, declarou: “Comunismo é o Americanismo do Século
Vinte.”
Essa nova tática aumentou os membros do Partido para quase 100.000 pessoas
– seu auge – e permitiu, simultaneamente, que o Partido se infiltrasse em uma
série de instituições liberais e as usasse como grupos de fachada. O CPUSA
trabalhou para tornar-se uma presença dentro da poderosa federação sindical
Congress of Industrial Organizations (a qual mais tarde se fundiria com o
American Federation of Labor, para se tornar o AFL-CIO).
Em 1939, o pacto Nazi-Soviético trouxe um fim à pose antifascista do
CPUSA. Logo após, o Partido retornou às suas agressivas denúncias anteriores
da política americana convencional – um passo que eventualmente trouxe um
colapso em número de membros, especialmente quando o Partido inverteu o
curso mais uma vez com a invasão de Hitler à URSS.
Após o fim da Segunda Guerra Mundial, a hostilidade soviética ao Ocidente veio
à tona mais uma vez. Em 1944, criptoanalistas do Exército americano quebraram
o código de comunicações do KGB e, em 1948, o projeto Venona identificou
centenas de agentes de espionagem soviéticos nos Estados Unidos. Embora a
administração Roosevelt tenha rejeitado as alegações republicanas de que os
comunistas teriam se infiltrado no New Deal, no fim da década de 40, a
administração Truman começou a tratar a ameaça comunista como uma questão
muito séria.
Em 1948, Whittaker Chambers e Elizabeth Bentley, ambos ex-comunistas,
testemunharam perante o House Committee on Un-American Activities que
comunistas operaram na administração Roosevelt – especialmente Alger Hiss,
que servira como alto funcionário no Departamento de Estado. Em janeiro de
1950, Hiss foi condenado. Um ano depois, em 6 de março de 1951, Julius e Ethel
Rosenberg, membros do CPUSA e militantes estalinistas, foram julgados por
espionagem e executados dois anos depois, em 1953.
Gerações de radicais os veem como mártires da causa e, ainda hoje, muitos
ainda protestam contra sua culpa, ainda que as evidências continuem a provar
que eles se engajaram em uma conspiração para roubar segredos nucleares
dos Estados Unidos e entregá-los à URSS.
Joseph McCarthy, senador de Wisconsin de 1947 a 1957, tornou-se o mais
famoso e agressivo político a tomar a bandeira anticomunista. Em 1950, apesar
do expurgo do CPUSA da política americana estar bem encaminhado, McCarthy
usou seu sentimento anticomunista para obter poder. Afirmando que estava na
posse de uma lista de comunistas no Departamento de Estado e, mais tarde, na
administração Truman e no Exército Americano, McCarthy se lançou no centro
das atenções nacionais.
Sua influência, no entanto, seria de curta duração; em 1954 ele foi censurado
pelo Senado por abuso de poder legislativo. Ao invés de eliminar os comunistas
do governo, os métodos de McCarthy se tornaram um benefício para a esquerda
radical. Ao evocar o espectro de caça aberta às bruxas, ele deu aos comunistas
uma bandeira em torno da qual se reagrupar.
À medida que a Guerra Fria se desenvolvia e a legislação do Congresso se
direcionava as suas atividades revolucionárias, o CPUSA teve que se retirar para
o subsolo. Em 1956, o “discurso secreto” de Nikita Khrushchev – denunciando
os crimes de Josef Stalin e a invasão soviética da Hungria – reduziu ainda mais
a filiação ao CPUSA, a qual caiu para 3.000. Em 1959, Gus Hall se tornou o líder
do marginalizado CPUSA, que era uma sombra do que havia sido há uma
geração anterior.
Apesar do apoio do CPUSA às invasões soviéticas de Praga e do Afeganistão
ter continuado a estigmatizar o Partido como parte da Velha Esquerda, esse
começou a ver algum aumento na filiação na década de 70. Alguns antigos
membros do Partido agora sentiam-se seguros para reingressar na organização,
e um pequeno número de radicais dos anos 60 também se juntou ao Partido.
Desde a sua criação, o CPUSA investiu recursos para recrutar afro-americanos
para suas fileiras. Embora esse esforço nunca tenha rendido muitos membros e
colapsado com o advento do movimento pelos Direitos Civis no fim da década
de 50, Herbert Aptheker, um membro de longa data e fundador do American
Institute for Marxist Studies, e Angela Davis, agora tentavam incorporar o
radicalismo racial no Partido.
Embora seu objetivo sempre tenha sido desenvolver um Partido Comunista
nacional, em 1984, o CPUSA começou a dar suporte indireto ao Partido
Democrata como única alternativa ao conservadorismo da era Reagan. Em
1987, Mikhail Gorbachev introduziu a Perestroika na União Soviética, levando
eventualmente a quase desintegração do CPUSA. Em 1992,Herbert Apthetker e
Angela Davis se separaram do Partido para fundar o Committees
of Correspondence for Democracy and Socialism.
Em 2008, o CPUSA criou a chamada “aliança popular e sindical”, para apoiar a
candidatura presidencial de Barack Obama. Em 31 de janeiro de 2009, Sam
Webb, líder do CPUSA, proferiu um discurso celebrando que “um amigo dos
sindicatos e d e seus aliados está sentado na Casa Branca.” Ele descreveu a
posse do Presidente Obama como um sinal de que “uma era de mudança
progressista está ao nosso alcance, não é mais um sonho vão.”
De acordo com Webb, a nova administração já estava considerando “um novo
modelo de governança” que “desafiaria o poder corporativo, os lucros e
prerrogativas.”
Em outubro de 2010, o vice-presidente executivo nacional do CPUSA, Jarvis
Tyner, falou em Detroit sobre a necessidade de americanos “de esquerda e
progressistas” votarem nos democratas nas eleições de meio de mandato.
Em 3 de novembro de 2010 – o dia posterior às eleições de meio de mandato
nas quais os democratas perderam 6 assentos no Senado, mais de 60 assentos
na Câmara e 7 governos estaduais – o presidente do Labor Commission do
CPUSA, Scott Marshall, enfatizou que sua organização trabalhara colaborando
em campanhas políticas com o presidente do AFL-CIO, Richard
Trumka. Disse Marshall:
“A contínua independência do movimento sindical foi tremendamente elevada
pela eleição, e de maneiras muito específicas, não apenas em geral. Não apenas
fez com que a campanha ocorresse a partir do salão do sindicato…mas, desta
vez, como Trumka nos disse quando ele estava em Chicago, eles começaram o
processo de construção de organizações independentes de campanhas
trabalhistas em cinco cidades-chave através do país.”
Também em 3 de novembro de 2010, o CPUSA elogiou a administração Obama
por estar “realizando muitas coisas”. Além disso, o Partido:
• Reclamou que, antes das eleições do dia anterior, a “aliança corporativa
republicana se baseou em mentiras, medo e ódio para espalhar sua
mensagem”;
• Elogiou sindicatos por terem trabalhado para elevar a “consciência de
classe”; e
• Afirmou que a prioridade principal do CPUSA para o futuro imediato seria
“aprofundar e expandir a consciência de classe”.

No final de 2010, C.J. Atkins, membro do CPUSA, pediu que seus companheiros
abandonassem o rótulo de “comunista”, assim eles poderiam trabalhar dentro do
Partido Democrata de modo mais efetivo. Logo depois, Joe Sims, co-editor da
publicação People´s World, do CPUSA, reconheceu não apenas que a
colaboração com os democratas “seria uma área de engajamento para aqueles
que estavam querendo fazer a diferença,” mas também que, um dia, talvez os
comunistas seriam capazes de “capturar” inteiramente o Partido Democrata.
Contudo, Sims alertou contra a total dissolução do CPUSA no Partido
Democrata. Em vez disso, ele aconselhou sua organização a permanecer como
entidade separada, trabalhando tanto dentro quanto fora do Partido Democrata,
conforme requeressem as circunstâncias.
Em 5 de dezembro de 2010, o CPUSA realizou uma cerimônia em Connecticut,
onde John Olsen, líder do AFL-CIO de Connecticut, foi homenageado. O modus
operandi do CPUSA é deslegitimar e denegrir a sociedade americana,
retratando-a como profunda e irremediavelmente infestada pelo racismo,
sexismo, homofobia e todas as formas de injustiça. Clique aqui (no texto original)
para uma explicação sobre como, em 2014, a organização usou sua publicação
emblemática, People’s World, para fomentar a disputa racial em Ferguson,
Missouri, na sequência morte a tiros de um policial branco por um suspeito negro.
Em janeiro de 2015, o presidente do National Committee do CPUSA, John
Bachtell, publicou um ensaio no People’s World afirmando que os comunistas
americanos estavam ansiosos para trabalhar com o Partido Democrata para
atingir seus objetivos. Ele escreveu:
“O trabalho e outras forças sociais chave não estão prestes a deixar o Partido Democrata tão
cedo. Eles ainda veem os democratas como o veículo eleitoral mais realista para avançar sua
agenda, especialmente na batalha nacional contra a extrema-direita. Seu principal objetivo nesse
momento é mudar as políticas do DP e se aproximar de ala de Wall Street e de elementos mais
conservadores…Primeiro, nós somos parte da aliança mais anti-ultradireita possível…Isso
necessariamente significa trabalhar com o Partido Democrata. Segundo, nosso objetivo não é
construir o Partido Democrata. Nessa fase, trata-se da construção de um amplo movimento popular
que usa o Partido Democrata como veículo para o avanço de sua agenda. Trata-se da construção
de movimentos em torno de questões que envolvem amplos setores populares, que podem ajudar
a moldar contornos e debates…Somos a favor da construção de movimentos na arena eleitoral e
vemos o engajamento na arena eleitoral e na governança democrática como um meio vital para
continuar a construir movimentos.”
O CPUSA é membro da organização United for Peace and Justice, uma
coalização antiguerra. O grupo também tem fortes laços com a China, Cuba e
outras nações hostis aos Estados Unidos.

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Traduzido por Luiza Barbosa em19/06/2020
Artigo original disponível em https://www.discoverthenetworks.org/organizations/communist-party-usa-cpusa/

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