Aborto: A nova face da eugenia

A eugenia carrega uma nova face, o aborto. Os discursos mudam, as raízes permanecem.

A eugenia é a “teoria que busca produzir uma seleção nas coletividades humanas, baseando-se em leis genéticas”. O termo se iniciou com o antropólogo Francis Galton, a partir do fascínio que o cientista mantinha pela herança biológica e pela genialidade.  

No século 19, ocorreram mudanças sociais urbanas decorrentes da Revolução Industrial nos Estados Unidos. As cidades receberam muitos camponeses e imigrantes, em busca de empregos. Com tantas pessoas chegando em grandes grupos, era inevitável os problemas na sociedade, tais como uma crescente na criminalidade, pobreza e importunação devido ao alcoolismo.

Baseando-se nisso, Galton criou sua teoria para alcançar o “aperfeiçoamento da civilização”, com o uso da biologia, pretendia controlar a sociedade e sanar os problemas. A “eugenia” surgiu como ciência cujo objetivo era a procriação dos “bem-nascidos”.

Segundo Galton, era possível melhorar a sociedade trabalhando as características biológicas humanas, a partir de soluções como deste pensamento: “homens talentosos devem se casar com mulheres talentosas”. Resultando, segundo ele, em uma raça de alto nível. Afinal, pessoas notáveis têm filhos notáveis, e os degenerados, têm filhos degenerados. Estamos diante de uma nova versão da seleção natural – que mais se assemelha com uma seleção artificial.

“A eugenia colabora com o trabalho da natureza, assegurando que a humanidade seja representada pelas raças mais bem-adaptadas, pois o que a natureza faz às cegas, lenta e impiedosamente, o homem pode fazer de modo oportuno, rápido e gentil”  

-Francis Galton 

O questionamento é: “de modo gentil e oportuno” para quem? Visto que, a “raça de alto nível” não inclui aqueles considerados doentes, incapacitados, degenerados, entre tantas outras coisas.

Observamos na história que em todos os momentos que alguém tentou decidir quem estava ou não, apto a viver na sociedade dos “bem-adaptados”, o mundo presenciou derramamento de sangue e assassinato em massa.

A Alemanha do século 20 é um grande exemplo, quando 50 anos depois da teoria de Galton, Adolf Hitler promulgou leis de esterilização para deficientes mentais e físicos como parte do “programa de aperfeiçoamento e pureza da raça”.

É interessante notar que o aborto se caracteriza de forma moralmente eugenista. Há 3 casos específicos em que o aborto não é considerado crime, sendo permitido perante a lei – no Brasil. Não se caracteriza como crime o aborto em caso de estupro, risco de vida a mãe e quando se trata de um bebê anencéfalo. No entanto, visto que a teoria eugenista exclui da sociedade todo aquele considerado fora dos padrões da “raça pura”, é inevitável a percepção do racismo instaurado nas raízes das ideias abortistas.

Abortistas insistem na despersonificação do embrião na tentativa de facilitar a legalização do aborto. Descaracterizar uma pessoa, retirando do indivíduo seu valor é o caminho para ditar quem merece ou não estar no mundo, algo muito familiar quando olhamos para o nazismo. O aborto não se difere em nada das leis promulgadas por Hitler ou da teoria de Galton.

“Eu acho que o maior de todos os pecados é trazer filhos ao mundo – que têm doenças por causa dos seus pais, que não terão a chance de se tornarem seres humanos dignos desse nome. Delinquentes, prisioneiros, todo tipo de coisa que já está inscrito no nascimento. Esse, para mim, é o maior pecado que se pode fazer”. Margaret Sanger

“A Eugenia é sugerida pelas mais diversas mentes como o caminho mais adequado e definitivo para a solução de problemas raciais, políticos e sociais”. – Margaret Sanger em O Valor Eugênico da Propaganda do Controle de Natalidade.

“Devemos contratar três ou quatro ministros de cor, de preferência com histórico de serviço social, e com personalidades cativantes. A abordagem educacional mais bem-sucedida para o negro é através do apelo religioso. Nós não queremos que vaze o discurso que intentamos exterminar a população negra (através do controle de natalidade!). E um ministro é o homem que pode corrigir essa ideia caso ela ocorra a qualquer um de seus membro mais rebeldes”. – Margaret Sanger em Mulher, Moralidade e Controle de Natalidade.

Margaret Sanger foi a idealizadora e dona da primeira clínica de controle de natalidade em um bairro americano –  na época,  pela ilegalidade do seu funcionamento, foi fechada pelas autoridades. Retornando, depois do Caso Jane Roe em 1923, que legitimou o aborto nos EUA, Margaret Sanger Research Bureau se torna o maior centro de controle da natalidade do mundo, hoje Planned Parenthood.

É inegável que o aborto é sempre relacionado a qualidade de vida e ligado a marginalidade. Não é coincidência que os discursos abortistas aparentemente estejam preocupados com mulheres da periferia, alegando principalmente que pobres – muitas vezes enfatizando a cor, colocando a mulher negra como alvo – sofrem com a criminalização do aborto.

Tais discursos apenas revelam o racismo das raízes eugenistas presentes nos discursos abortistas. A verdade por trás de toda frase de efeito  vestida de empatia, é o pensamento eugênico de que pessoas pobres não devem procriar e indivíduos negros ou “defeituosos” – com qualquer deficiência – não merecem viver.

Os discursos abortistas podem em muitos casos apresentar-se de forma bela e empática, mas as palavras apenas levam ao caminho de dúvida a respeito do valor de uma vida – nesse caso, de inúmeras vidas. Não há como negar que em todas as vezes que  esse valor da vida entrou em questionamento e alguém decidiu quem deveria ou não viver, a história presenciou genocídios terríveis.

 

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